História
Breve história de São Tomé e Príncipe
Com uma história que carece ser aprofundada, as ilhas de S. Tomé e Príncipe foram achadas por Pedro Escobar e João de Santarém, navegadores portugueses ao serviço de um rico comerciante chamado João Gomes. São Tomé, descoberta a 21 de Dezembro de 1470, só começou a ser colonizada no ano de 1493, com a chegada dos primeiros portugueses e dos plantadores de cana-de-açúcar Álvaro Caminha e António Carneiro. À ilha de Santo António chegaram a 17 de Janeiro de 1471, passando depois a chamar-se Príncipe, em homenagem ao então príncipe D. João II.
É durante o reinado de D. João II que começa (de facto) a exploração das ilhas, após uma curva oceânica mal feita por Duarte Pacheco Pereira, que pretendia chegar à Índia, o ter forçado a fazer escala na Pérola do equador (já naquela altura as estradas portuguesas, ainda que marítimas, estavam mal sinalizadas :). Segundo alguns historiadores, as ilhas escontravam-se inicialmente desertas e o seu povoamento terá começado em 1845, quando o rei decidiu doar a ilha de São Tomé ao fidalgo João de Paiva.
Em pleno século XVI, S. Tomé acabaria por conhecer um período florescente da sua economia, passando a ser o principal exportador Africano da cana-de-açúcar, transformando-se com o “Ciclo da cana”, na rota obrigatória do comércio sacarino e de escravos entre África e o Brasil.
No mesmo século, com a revolta dos escravos que exigiam a sua liberdade e a carta de alforria, os proprietários das terras acabariam por deixar o arquipélago e partir para o Brasil. Algumas delas ficaram famosas, nomeadamente a de 1585, liderada pelo lendário Amador, que mais tarde chama a si o título de rei dos Angolares.
Nota de 1000 Dobras (1977) com busto do Rei Amador.
A revolta dos escravos, a moléstia nas plantações e a pirataria contribuíram para arruinar a economia, relegando S. Tomé e Príncipe, nos dois séculos seguintes, ao lugar de um mero entreposto de escravos capturados na África Ocidental com destino às plantações do Brasil.
Em 1641, os holandeses apoderaram-se das ilhas. Foi sol de pouca dura, pois estas voltariam a pertencer a coroa portuguesa em 1648.
No início do século XIX, o “Ciclo do cacau e do café” e as ilhas vivem a glória das roças, estrutura agrícola que vigorou durante todo o período colonial. A principal mão-de-obra vinha da costa africana, nomeadamente de Cabo Verde, Angola e Moçambique, destinada a manter a pujança das grandes plantações. Por motivos económicos (e não porque a sensatez o ditasse…) a escravatura tornou-se um acto repudiável entre os países europeus e pressão internacional obrigaria Portugal a abolir o trabalho escravo por volta de 1875, instituindo em seu lugar o subcontrato, então entendido como uma fachada para uma nova forma de esclavagismo. Surgiram então os serviçais, que na prática, perpetuariam a escravatura nas roças.
É assim que, em 1913, a produção do cacau chega a atingir os 95% das exportações, fazendo do arquipélago um grande produtor mundial. Em meados do século XX, sob a administração do Governador Carlos de Sousa Gorgulho, intensificaram-se as medidas repressivas contra a recusa dos são-tomenses ao trabalho (forçado) das roças das (mono)culturas do cacau e do café. Esta situação viria a dar lugar, em 1953, à primeira revolta nacionalista que terminou com o Massacre de Batepá (localidade situada a cerca de 15 quilómetros da capital).
Em 1960, o surgimento dos movimentos de libertação dos territórios colonizados faz despoletar consciências e intensificar a luta pela independência nacional. Surge então o Comité de Libertação de S. Tomé e Príncipe (CLSTP), depois convertido em Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) em 1972, durante a Conferência Nacional de Malabo (Guiné Equatorial). A 26 de Novembro de 1974, pouco depois do 25 de Abril em Portugal, o MLSTP assina com o Governo Português o Acordo de Argel, instrumento através do qual é reconhecido ao povo de S. Tomé e Príncipe o direito à autodeterminação e à independência.
O acto de proclamação da independência que instituiu a República Democrática de São Tomé e Príncipe tem lugar a 12 de Julho de 1975, tendo Manuel Pinto da Costa sido o primeiro chefe de Estado durante 15 anos de regime monopartidário
, com orientação marxista-leninista.
Em Agosto de 1990 foi adoptada uma nova Constituição na sequência de uma das recomendações da Conferência Nacional organizada pelo MLSTP em 1989 e que decidiu pela abertura do país ao multipartidarismo e à economia de mercado. Assim, as primeiras eleições multipartidárias, realizadas a 20 de Janeiro de 1991, deram vitória ao Partido de Convergência Democrática (PCD-GR). Miguel Trovoada, que viveu vários anos no exílio em França, foi eleito democraticamente Presidente da República em Março do mesmo ano.
O actual Chefe de Estado é Fradique de Menezes que substituiu Miguel dos Anjos Trovoada em 2001. Actualmente existem 13 partidos políticos.
O Hino Nacional foi escrito pela poetisa Alda Graça do Espírito Santo, uma das figuras da luta de resistência pela independência nacional, e actual presidente da União dos Escritores e Artistas (UNEAS).
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