Arquivo de 8 de Junho de 2007

Jun 08 2007

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São mil águas de Carlos Barreto que me atiram para o leito do teu colorido peito.

Encosto a cabeça deixando-me guiar até o que de mais castanho conheço em mim: terra.

Chão que se rejuvenesce a cada pingo de semente com que me tocam.

Nhã Récia é a fêmea que alimenta os seus quatro em cada grão que se me encosta:

uns absorvo

outros desprezo

uns deposito esperança

outros simplesmente deixo estar; apodrecer na mais infinita superfície de mim
uns opto por não me lembrar

(o teu amarelado peito faz de travesseiro que eu

desprezo

absorvo

esperanceio-me

esqueço-me

nostalgio-me

cuspo-me

Nhã Récia que anda flutando os seus esguios passos nos quatro canteiros do quintal

Nhã Récia que chora

Nhã Récia que gargalha

Nhã Récia que lê o tempo na janela do céu

Nhã Récia que polui-se a si fumando o cigarro ao contrário

Nhã Récia que sorri marfim encardido

Nhã Récia que me dá de comer com a planta dos seus pés

Nhã Récia cujos pés ofereço matacanha do porco que um dos quatro levou

Esqueço-me

Nhã Récia que apesar dos tempos, deposita esperança em mim.

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