Mai 19 2007
Monsier Maire de Niafunké: 3:58
Não é por nada: nem pelo dedilhar na KORA.
É por isso que oiço agora: o que leva à dimensões outras: another qualquer coisa.
É pelo dedilhar deles os dois: ambos num só.
Ali Farka+Toumani Diabaté nessa coisa que não se sabe explicar: música?
Para mim, simplesmente mãos: dedos: dedilhar da guitarra e da KORA.
Monsier Maire de Niafunké: 2:25
Monsier Maire de Niafunké: 1:53
Monsier Maire de Niafunké: 2:25
Monsier Maire de Niafunké: 1:44
São dedos e olhos fechados: são secas lágrimas no recanto da vista.
Monsier Maire de Niafunké: 2:25
Monsier Maire de Niafunké: 1:01
É o arrepio.
Monsier Maire de Niafunké: 2:25
Monsier Maire de Niafunké: 0:37
Monsier Maire de Niafunké: 0:21
Monsier Maire de Niafunké: 0:00
Ai Ga Bani: 4:34
É música e mãos.
Música por tudo o que eu ainda não disse, e mãos pelo dedilhar das cordas.
Assim: a corda de saltar no recreio da Manuel Trindade de Sousa Pontes.
É o pequeno Filipe algures sentado no chão a olhar para a corda.
A corda a bater no chão: a fazer de instrumento: a criar música.
Depois vinha o leve peso dela no castanho asfalto.
: agora já são dois instrumentos: a corda no asfalto e a leveza dela na corda.
(sinto: como sinto, agora, Ai Ga Bani na voz do Ali)
O compasso dengoso dela a desviar a corda antes do som no asfalto.
O compasso dengoso dela a desviar a corda ao descolar do chão.
É o Filipe a contemplar palmas saídas do chão em forma de pó.
É o Filipe a pensar para si: quem me dera ser pó.
(já te vou explicar o porquê): o Filipe que é maroto.
já te vou explicar porque é que o Filipe é assim: contemploso na sua visão.
(não te vou explicar: nunca: o porquê desses neologismos que ponho nas coisas que escrevo)
Gomi: 4:17
Quem lhe dera ser pó: não pós que a aplaudem no saltar de cordas.
Quem lhe dera ser pó: para poder ver a calcinha “socada nos pólos”: sim.
Filipe é contemploso e maroto: e bom maroto ele é.
Ele gosta de troçar: de picar: de bater: de provocar: de atirar para lá da estrada: é nervoso: puto de nervos.
Pós que a aplaudem no saltar de cordas.
(Isso de ser calcinha “socada nos pólos” também é bom): pensou certa vez a calcinha.
: Ah, a que saltava a corda era pobre de coisas usáveis: usando calcinhas compradas aos candongueiros ambulantes: calcinhas que depois de 3 idas ao rio, perdiam a elasticidade; eterna prometida brancura. Calcinhas que a quarta ida já lhe ficavam grandes: já se descaíam perna a baixo.
(Ainda não te disse: ela punha arte em tudo o que fazia: no saltar: no comer: na forma como não trançava o cabelo; não forma como sorria do/para o Filipe)
Ela que optou por entrelaçar a calcinha nos dois pólos: no lado esquerdo e direito da anca. E a calcinha que não mais descia pelas pernas a baixo: enquanto saltava; andava; comia e ria-se do Filipe.
Filipe sempre querendo ser pó: o pó que não alcançava a calcinha: aquele que ficava pelo joelho:
mesmo que ela saltasse com intensidade e altura;
mesmo que ela na queda, só suavizasse o asfalto: como sempre acontecia.
Filipe só queria ser música e corda



