Abr 24 2007
Tenciono pôr-te algumas vivências do mendigo.
De um mendigo: palavras para quê?
Existe um, sempre, um mendigo: o das palavras.
Estás a ver o ser da sarjeta: não de uma rua qualquer: perto da Avenida ou da Alameda.
Topa: falo-te do mendigo de Viena que nasceu em Libreville.
-> criado em São Tomé (Príncipe)
-> desonrado: aqui (nas palavras) e frases também: palavras que formaram a identidade dele: nas coisas dele.
Assim: só.
: no andar e na maneira como olhava nos outros;
: troçava dos outros
-> que também deformaram a caligrafia dele.
Tenciono imiscuir-me na vida dele sem pedir licenças nem favores.
: tás a ver?
: assim só: dum côro.
Imagino um tipo pobre. Pobre tipo, também.
Nas ruas dos mundos e das línguas faladas também.
O tipo de tipo que só abre a boca para deitar:
- “Por favor, ajudem este pobre mendigo com uma palavra.”
>-> nunca na primeira pessoa.
-“po..po..por favor.”
>-> também era gago.
Não só bastava a qualidade de pedinte: chiça!
(coisa estranha: o homem enquanto ser, abre as bolsas dos cordões à crédito sem resmungar. Mesmo que resmungassem, era disso que ele precisava.):
: já te pus que ele também se alimentava resmungos? (então fixa.)
Bela condição, a dele:
3 períodos de peditório: sempre à tempos de ponta: a excepção do meio.
: pedia->ouvia->escrevia->lia
(não: só irás ler.)
E com isso acabava por auto-criar a sua cadeia de valores.
-“uma palavra por favor.”
<-> Vai pó caralho, vadio!
Vou sim; nunca de lá saí. Gostaria de não ter caralho. Para quê?
Só dou uso em actos egoístas; e quanto tento ser/partilha-lo: és MLSTP’ísta. Vou pó caralho, sim.
Que pior mal poderá acontecer:
>>> à Sam Filo se eu for pó caralho e não passar por lá (como ainda acontece) com o taparuére da refeição?
>>> ao Preto (ao: “oi Preto, tudo bem?) que gosta de dormir? Que encharca os dedos com droga branca; que é mal falado por bem falar: falar bonito (mesmo sendo feio pó caralho): sim: vai tu também.
>>> à Avó?
>>> à contínua que do Tagus que está quase a partir?
>>> ao primeiro benfeitor do dia de ontem: <-> “Vai pó caralho, vadio.”
-“boa tarde, uma…”
<-> Hoje não tenho nada!Porque prefiro esses? Os do tempo do meio. Os que dão sem saber.
Prefiro porque mentem. Eu sou como as mulheres (como se eu não fosse mulher em tudo que tenha a ver com o Pinto ): gostam de mentiras; não gostam da “Letra L”; gostam de mim; não gostam do que merecem.
Eu também nunca tenho nada, vês?
Tenho-te a ti; o lápis, a boazuda aqui a frente; borracha branca (dedos drogados).
Também não tenho nada:no IPOD:
Ali Farka; Lobi Traoré; Marcelo D2; Brian Tracy; África Negra; Buraka Som Sistema.
Agora, só Sir Scracth no ouvido.
>>> Isso é ter algo?: Lê, para ti: “não tenho nada, mas, vai pó caralho.”-“última palavra, por favor…”
<-> Corpo!
O teu corpo, m’bôa?
O teu corpo de homem vil e viril.
Naaaaaaaa, não te vou pôr coisas na minha boca que te façam imaginar o teu corpo.
-“Dá-me outra palavra e se quiseres”
<-> …!



