Abr 18 2007
-Sabes? Claro que não sabes.
-Não sabes porque nem eu sinto/sei: são coisas dispersas: sabes?
Frases ao vento; discretos sorrisos envoltos de coisas inúteis: mistérios que não existem (a não ser na cabeça das gentes): pessoas+pessoas.
Simplesmente pessoas.
-Sabes como é que vai ser a chegada?
-Não sabes porque nem eu sinto/sei: são coisas dispersas: sabes?
E eu que também minto: de quando em vez sinto: mesmo não sabendo, sinto.
E será o cilindro que pairará no espaço durante horas; e sabes do coração quando começa a bater com força: muita força (e a mesma força do Largo àquela hora do amanhecer)
E serão cheiros; formas de se exprimir; sotaque; maneirismos de se estar e vestir: vestimo-nos com a língua, sabes?
(E o Kalaf: “…de certa forma, este é o processo criativo…”
E eu sentado no cilindro: pressão a passar por mim, perpassando por mim: em mim, deixando-me só! (vês?!); assim: só.
)”…de certa forma, este é o processo criativo…”
Ela virá ao meu encontro:
(Não sabes porque é que eu nunca mais a senti? são coisas dispersas: sabes?)
Ela com o seu denguer – sabes das coisas? Isso de se colocar swing nos movimentos das pernas; das ancas; no sorriso.
Sabes?(
Ela com a sua pele castanha: e ela que também tem muito calor para dar: para receber de mim também.
(E eu a chegar; e ele, de certeza, a chorar no aeroporto: e eu antes a sair do cilindro, só com a mochila de campismo: ou não! (…, sabes?: também gosto muito do: “ou não.”; um pouco menos do: “talvez”.
E ele que quando eu parti, não me acompanhou à escada que dava para o cilindro: só ela: as mãos dela: as unhas sempre tratadas: os lábios: a voz dela que é única para cada um de nós os quatro: para mim, mais…, (eu que não sei de coisas).
-talvez (ou não!) te escreva com o propósito de querer saber coisas-
(ele que não se aproximou da escada; do tapete vermelho-sujo que dava para as escada)
Ele que se despediu de mim em casa: a voz, o beijo na face: os pêlos; o conjunto: barba a fazer-me cócegas: pelos que picam.
(sabes?)
Eu que só sentia os pêlos quando ele se ausentava do país: e nós, e eu no aeroporto a despedir-me dele: a espera do beijo: do que picava.
-Não sabes porque nem eu sinto/sei: são coisas dispersas: sabes?-
(8 anos volvidos: a beijo que continua a picar: as piadas ao almoço, ao jantar: a toda hora)
E eu que também sou uma beca assim: piad-oso sempre: mesmo nas coisas que não devo.
(Esta estória do cilindro)
E ela: as mãos; os cozinhados: o swing, sabes?
(“Chavala” vibrar no ecrã do mobile): e eu não atendendo: como não atendo:
E ele a chorar: chorando por tudo e por nada.
)E eu no mesmo tapete, espero, na mesma porta; na mesma saída: e eles ali: (sabes?: inertes e com o coração do Largo): será a Solange? (Claro: gordinha): o Luisélio? (mais magro): o Ime (igual a si próprio: distante e com o sorriso: sempre. Eles também; e eu também magro (ou não!): sabes disso?
Depois virão os beijos e abraços: os sentidos, sabes? (os que eu te dou): ou não!
-e as estórias-
(Os amigos também no aeroporto, sabes?)
Continua na mesma: dia de voo, romaria no aeroporto: sempre.
-e o amigo que agora é polícia-
-e a amiga que agora é mulher de si mesma: vendendo cerveja “a estalar”-
-e eu?-
-e a vizinha da brincadeira de (mãe/pai): mirando-me encostada no poste;
(Eu que agora escrevo ouvindo Jazz: não sei de quem é, sabes?: não me interessa, sabes?(
Há coisas que não me interessam: o ver encostado no poste.
E ele agora mais velho;
-Não sabes porque nem eu sinto/sei: são coisas dispersas: sabes?-
Mais rug-oso; e mais brincalhão.
Tenho medo, sabes?
Medo das rugas deles, sabes?
Porquê?:
-Não sabes porque nem eu sinto/sei: são coisas dispersas: sabes?-
Uma coisa é conviver com rugas todos os dias: tu também crescendo, ganhando as tuas; perdendo os teus cabelos; e essas coisas nossas.
-Não sabes porque nem eu sinto/sei: são coisas dispersas: sabes?-
(E outra é sair de cilindro, e só regressar 8 anos depois num outro cilindro e: ele com mais rugas e mais brincalhão)
Ela mais mãe, mais mulher, mais encosto;
-Não sabes porque nem eu sinto/sei: são coisas dispersas: sabes?-



