Abr 15 2007
Gé de princípio ao fim.
«So Doce, so mel»
(Chuvisca lá fora – pingos de um despertar diferente)
também caem aqui dentro sem serem denunciadas por pelos olhos
«So Doce, so mel», levou-me; leva-me não sei para onde.
Só sei que chove cá dentro.
«Deolinda»
A tua Deolinda: Santo Antão
(Continua chuviscar emoção cá dentro.)
À esquerda chuvisco no asfalto; no verde do Fiat Punto; no ruivo cabelo duma que passa falando ao telemóvel;
(sab, sab, sab, bem coláááaá…)
Na cadela em cio rodeada por homens cães.
(Os olhos meus que vêem sem pudor; sem discrição)
No homem que ao ombro leva a verde botija.
(no centro eu a escrever coisas sem nexo)
Eu que já me despertei; que já revi dois filmes; que agora ouço «Sant’Anton lovers»
à direita continua a cama por fazer; telemóvel no chão (o chão que vai vibrando);
(funanananana, funanananana, …)
No mesmo chão: “Exortação aos Crocodilos”; poeira e mais sei lá o quê.
Eu que tinha dito que Lisboa vista do barco é sempre diferente.
só hoje lembrei-me de achar o Adamastor.
E ele a afastar-se de mim…
Eu afastar-me dele.
Por mim, hoje, ficava contigo Lisboa. Só, a andar só; a andar contigo não fosse o teu cansaço e sono.
(“Mãe já estou no metro”)
(Quem puxa a rede são os pescadores, quem ama mar são os pescadores….)
E eu que já pulei para minha “Shambalah”.
(o chuvisco continua lá fora)
Aqui por dentro também.



