Arquivo de 22 de Março de 2007

Mar 22 2007

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- HP -

Publicado em wordJ

a minha volta nada olho visto o meu olhar se ter perdido aqui
neste r/c: onde agora venho eu mais o neto que não é meu, satisfazer o desmembramento de mim
eu a cair em pedaços do que se me vai restando: ora as costas; ora os dedos; ora o cabelo; ora as calças que teimam em não acompanhar o meu minguar; ora…;
ora os olhos que já nublam estas paredes: outrora caiadas do branco.
Visto o meu olho, nada olho.
Nem as paredes por mim erguidas 16 dias após embarque;
Nem,.. agora a prótese que me impede a fala. xiça.
Nem a minha primeira parede: esta que agora tem claridade na verdura: coisas que o meu neto que não é meu vai
dizendo enquanto a amenizadora dos meus:
ora as costas; ora os dedos; ora…
tenta rubricar a factura que sai do barulho (ela de bata branca que contrasta com mais coisas ditas pelo neto)
Assim, olho para o meu neto que não é meu e vejo-me no dia do seu nascimento: ele que saiu do silêncio:
quando o barulho foi ele próprio.
Nem as paredes que eu ergui no segundo dia após o desembarque nas Docas de Santos.
Único momento que ainda consigo olhar:

o da chegada.

Eu nas Docas.
(Móçuê, óla bô cá tchigá Lisboa, tio bô cá bá çá lá scá guada bô): palavras ditas sem atrito porque cada letra era livre: não havia dentes que as filtrasse: gengivas despidas de esmalte.

Não o conheces, mas ele é parecido com o pai, (já falecido em si): o que não chegaste a conhecer)
Xiça, nem as paredes que eu ajudei a erguer: pedra a pedra: suor a suor: frio a frio;
Xiça, depois de ter ouvido tudo o que ouvi do patrão

nem um olhar?

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