Arquivo de 27 de Fevereiro de 2007

Fev 27 2007

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Publicado em wordJ

Na pele do pai-irmão que acorda com vozes das senhoras na rua: do pão do matabicho; com vozes da rua.

Na pele do que pouco ou nada faz por não valer a pena: bastando acordar e cuacar os dentes com cacharamba. E o dia assim começa: mais um que recomeça.

Sensação estranha, essa de querer ser irmão-pai lá no lugar onde a Couto que já não uso é substituída por algo também doce: só doce, na fase primeira.

É estranho: isso de eu querer estar na pele do que lava a boca com cana-de-açúcar;

É estranho: isso de eu querer estar na pele do que bochecha as partes internas com cacharamba: açúcar noutra fase.

:como vai saúdeé? as crianças?

Perguntas normais se eu fosse mãe-irmã: mulher.

:compadre, cúma?

(opto por ser homem no lugar onde…) os homens…

:sai uma?

STOP:

Existe o: “sai uma?”;

Também existe o: “não sai nada?”.

Sinistro: não o facto de eu já ser pai-irmão. Não, não é isso.

Facto, sim, de onde sair uma não sair nada.

O que seria de mim, sem os compadres das ruas: da vida; das tendas; do grupo.

Tendas do grupo: waini é o meu grupo.

Eu que para vestir a pele que sinto tive de passar pelo ritual de admissão.

(minto: não sinto pele nenhuma: sinto peso do frio nas mãos e nos pés) e oiço Amadou et Marian: Dimanche à Bamako.))

Como ia escrevendo:

Com consequências irreversíveis à demissão: cova; morte ou simplesmente estar assim: como sou/estou.

A maioria isso: isso em que me tornei (converti): bêbado consciente.

((forte dica do meu cambóri: bêbado)

“Ahha porque “” não quer________: bufo pah”)

Bêbado sem diálogo.

Não preciso, mas vou opinando tudo que seja assunto do dia deste lugar:

-a professora que hoje saiu mais tarde;

-a Emília que desce as escadas com o bacio cheio;

-o carro-de-praça que sobe vazio;

-outro que também desce vazio;

-uns que dormem;

Bêbado sem diálogo: como já pudeste reparar.

Bêbado com frases predilectas:

(“sai uma?”; “não sai nada?”)

a primeira: quando apanho o lenço da senhora.

a segunda: quando os outros compadres têm a mesma sorte.

(as nossas senhoras que vendem peixe de forma ambulante)

(as nossas senhoras que guardam o que recebem das vendas nos lenços)

(as nossas senhoras que preservam os mesmos hábitos)

(os mesmos gestos: o simples pedir à quem compra:

-ajuda-me a pousar o alguidar de peixe?)

estranhos hábitos: a entoação que dão as palavras que dizem.

Também estranho o facto de já não pedirem: ordenam.)

Sorte nossa de estarmos inseridos nesta matriarcal forma de gestão.

Pai-irmão: (não me perguntes quantos filhos tenho)

Sei que sou filho da estrada e das tendas descalças de alvenaria.

Barracos onde sinto o frio da terra pelo corpo acima: onde bebo o leite de forma consciente.

(SER BÊBADO: SER-SE BÊBADO).

Nunca fui nada; não sou nada: sou vinho de leite: sou grupo e não sou tu.

Sou waini estampado na t-shirt da campanha às presidenciais.

Também sou o gajo que me observa no 1º andar.

Melhor: não gostaria de ser como ele.

No 1º:

Ele pensa e tenta perceber os males do mundo: a razão dos meus problemas; o porquê das guerras; fomes; misérias; afins; : o porquê de eu andar descalço e sujo; o porquê de eu ter alguns filhos e não ser pai; o porquê de ele estar no primeiro e eu aqui; o porquê do verde; o porquê de ela lá em cima: só agora.

(cansei-me de ser bêbado que não diz nada: que não te entretém)

nem isso eu consegui ser: não ditei piadas, nem vomitei coisas.

(cansei-me)

(espera, que tal passar a ser o irmão do primeiro?: está mesmo ao seu lado, ao meu alcance)

Agora falo usando gestos, falo em alta voz: convicto das coisas que digo ao interlocutor.

(não dá, vou sair)

E saio do irmão: fico aqui à beira da estrada: sujo: bêbado: feliz de mim.

(duvidas?)

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