Artigos da categoria 'wordJ'

Ago 29 2007

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Sobre duas janelas escrevo, escrevo sobre “The General Environment (cont’d)”, escrevo sobre “som”, escrevo…
Escrevo sobre engenharia, escrevo sobre música.
Escrevo de tecnologia sobre tecnologia.
Escrevo sobre duas janelas.

Tentei contar
Tentei cantar
Tentei just
Lalalaia…

Tento estudar, tentei ler,
Deveria estar preocupado, e felizmente sou anormal
Estou numa incompleta janela, quando devia estar
Numa outra já, de todo, completa com fluxogramas, conceitos defeituosos
Não gramo, não gramo, é uma virtude dos anormais,
Não gramo.

Deveria estar na já repleta janela, e não nesta preenchida de botões e massificada por um colossal e virtual céu;
Céu neste que aproveito para escrever, céu este.

Tentei tocar
Também dançar
Assim só para deixar

Quero escrever sobre supérfluas coisas
Não quero vir a sentir o rosto pesado daqui há pouco aquando da releitura desta coisa,
Sim, tudo são coisas, coisas-coiso.
Desde o início estou sorridente, aumentando assim, o contraste entre o céu e a areia
But no stress, do desastre não resultarão vítimas.
Sei que não estou escrever coisa com coisa; algo me diz que a não concordância entre a introdução e o pseudo-desenvolvimento daquilo que me fez vir ao céu, tem-se aumentado.

Tudo isso para dizer, amigos ouçam música.

Ouçam vozes vossas, ouçam os outros, ouçam o silêncio, ouçam tudo e de tudo, mas não me ouçam (narciso em mim mesmo).

Não ouçam algo que nem ao silêncio se compara.
, com esta última ficaram preocupados. Sem motivos.
Continuo a rir, também porque bela duma panela por mim espera.
Não me ouçam
Mas, ouçam de tudo
Não ouçam o nada.

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Ago 18 2007

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E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por veze

sencontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos

David Mourão-Ferreira

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Jul 10 2007

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Cubei feio

até os 31, dormi cubando nas inconformidades dos cantos que se espalham pelas estradas das tuas vivências

ainda te lembras de mim?

Estava a cubar quando…

estava a cubar quando sonhava que passava a língua pelos lábios

despertei com o líquido salgado na boca.

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Jun 25 2007

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Kiê zequêntxi, Kiê zequêntxi

-Kiê ô zequêntxi

Bô bê kuá ku bô goló

-Kiê ô zequêntxi

Tudo kuá bu ká lumá

-Kiê ô zequêntxi

vigilância na ká legué valá fá

-Kiê ô zequêntxi

Anca glandji, cóbo glandji

-Kiê ô zequêntxi

Anca txóco, cóbo txóco

-Kiê ô zequêntxi

Tudo kuá bu ká lumá

vigilância na ká legué valá fá

Dja ku nancê fe féça nancê

-Kiê ô zequêntxi

Non tava nocentxi de vida non

-Kiê ô zequêntxi

Tudo kuá bu ká lumá

-Kiê ô zequêntxi

vigilância na ká legué valá fá

-Kiê ô zequêntxi

Bulauê - Jovens Unidos de Ponte Graça

——————————————-

Oh izaquente*, Oh izaquente

- Ooh izaquente

Tu viste o que arranjaste?

- Ooh izaquente

Tudo que aprontas

- Ooh izaquente

a vigilância não deixa passar

- Ooh izaquente

Caranguejo grande, buraco grande

- Ooh izaquente

Caranguejo pequeno, buraco pequeno

- Ooh izaquente

Tudo que aprontas

- Ooh izaquente

a vigilância não deixa passar

- Ooh izaquente

No dia que vocês deram a vossa festa

- Ooh izaquente

estavamos inocentes de nós

- Ooh izaquente

Tudo que aprontas

- Ooh izaquente

a vigilância não deixa passar

- Ooh izaquente

Bulauê Jovens Unidos de Ponte Graça

*(frutos cujas sementes são caracterizadas por um alto poder energético), mas que neste caso o nome é usado para designar o Grupo Frente. Sendo este um grupo formado por mercenários treinados na África do Sul Apartheid’arizada: a tal dos irmãos Botha.Com o apoio da África do Sul, tentaram por diversas vezes desencadear um golpe de estado militar no arquipélago. Numa da tentativas os mesmos foram capturados (vivíamos nós no mono-partidarismo, sendo o Manuel Pinto da Costa presidente da república) quando ainda tentavam chegar ao país em lanchas à motor.

Engraçado eu estar a aqui a escrever: ainda vivíamos. Pois ainda me lembro perfeitamente do dia: os carros blindados a passarem a porta da minha casa; o rebuliço no mercado; a professora a: podem ir para casa (e no primeiro andar da minha varanda: camiões com militares alimentados a caminho da Pousada da Bela Vista); outro camião blindado no moro da Trindade (residência da Presidente da República).

Medo espalhado pelo corpo dos são-tomenses.

Agora riu-me ouvindo a música interpretada num forro nasal. Por um forro

Mas também riu-me do destino de alguns dos ex-mercenários. Após a abertura ao multi-partidarismo, é claro, o núcleo duro optou por formar um partido democrático: Frente Democrática Cristã. Coisa pequena, sem expressão nas massas mas que dado o seu passado criava sempre algum comichão aos detentores do poder.

Nos dias de hoje ja não. O partido não é nada: aliás, nunca devia ter sido nada. Melhor: nunca foi nada.

E o poema é muito mais do li.

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Jun 18 2007

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hei tu aí.

hei mãe, não me peças transístores em forma de laptop

hei mãe, não saias do underground insular

hei mãe, manda-me um email

hei mãe, não queres um laptop pois não?

hei mãe, vai ao fundão que resta e põe os dois braços nos ombros do teu

hei mãe, se estiver a chover: agasalhem-se, porque tu bem sabes que a idade é sal

hei mãe, dancem até que

hei mãe, vais dançar até que as pernas te doam?

mãe, a dor será da dança e não do reumático

hei mãe, vai ao youtube.com e pesquisa por: Ursula Rucker e ouve o que ela fala dizendo: What A Woman Must Do

hei mãe, esquece o portátil

hei, hei: calma mãe

não são palavras do filho para ti, claro que não mãe

calma

hei mãe

existirão palavras do filho para ti?

hei mãe, descia ontem a calçada do combro e vi um cartaz

lembras-te da fadista do cartaz que tinhas lá em casa?

hei mãe, não te delongues no chuvisco do fundão

cartaz em formato A4, a preto-e-branco?

a fadista externamente burgessa penteada à baronesa?

a fadista pudicamente vestida?

lembras-te?

mãe, era em formato A4

mãe, passado mais de 20 anos vi um cartaz do meu tamanho na calçada do combro

a fadista era jovem e com feições que me kwiaram, mãe

cartaz à cores; ela penteada (mais de 20 anos mãe)

a fadista da minha idade e decotada no peito

o fado ainda é o que era?

hei mãe, não te adormeças

mãe, mãe, mãe

mãe, estás aí?

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Jun 12 2007

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- Cumé mô qué, qual é o teu ponto de vista?

- vou ludibriar-te porque não quero partilhar coisas minhas contigo. És estranho as minhas íntimas vivências. Mas digo-te só assim:

a minha vista agora está em frente a caixa vinda de Lisboa. Veio de Fetais, porque foi lá que meu tio aterrou há bué de anos com a família dele (tia; primos e prima).

Estás a ver?

estás a estranhar do nome? Xê! Aqui um gajo também não tem zona com nomes estranhos? Tão estranhos que nem nos apercebemos? Cumé?

tipo: água-tanque; úbua-flôr; folha-féde;

não é só aqui que as zonas partilham os nomes com pessoas; bichos; ladrões; etc. Lá também. Fetais é o nome do lugar onde ele mora com a minha família.

com a visão proposta numa ida à Fetais, contemplo a caixa que cheira à Lisboa. Não curto muito ouvir o meu pai a trautear está música; como se o cheiro daqui não fosse fixe. Tás a ver? Como se esta terra da qual nos esquecemos constantemente não cheirasse fixe.

feira-do-Ponto com o seus cheiros;

o professor de geografia (que só presta atenção na Nina) com a sua rodela de ananás no sovaco da camisa que usa de segunda à sexta;

bota que o meu tio usa na horta com o seu respectivo cheiro;

a boca do Samuel coveiro (xiiiiiiii);

Mas o cheiro à Lisboa é único, por isso vou-te pôr um segredo nos olhos:

caixas de encomendas vindas de Fetais iam directamente para mala das minhas roupas. Roupa com cheiro de Lisboa impunha respeito nos cambóris das fisgas e das brincadeiras das pedras; aos avílos dos mergulhos no Vasco; às avílas das tranças missangadas.

Cheiro é como um ar, anda bué na velocidade dele. Tás ver? Porris, sócio também não está apanhar pouca coisa do que te tenho dito. Senta; abeira-te aqui na berma. Yá?

Isso do cheiro de Lisboa na roupa: desde que caixa amanhecesse na mala, podia logo acordar e por uma camisa nova. Camisa velha e nova ao mesmo tempo. “Comia meu play” paleiando numa volta ao quarteirão; fazendo questão de me aproximar nos outros só para enduvidar os cambóris: “xé, mas ele tem essa desde a lição número 100 da quarta classe. E nós já estamos a dar provas da aprendizagem referente ao quinta classe. Ou não?

É sebem vê-los assim a disfarçar as dúvidas com sorrisos de inveja.

Aqui carregamos 3 tipos de cheiros: / Aqui carregamos 3 tipos de fardos:

os de Lisboa são os mais apetecidos;

os do Gabão que também têm os seus cheiros mas que toda gente gosta de deixar nas águas dos rios, antes de serem vestidos;

e

o de sermos insulares na mentalidade; e pequenos de nós mesmos.

É este o meu ponto de vista.

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Jun 08 2007

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São mil águas de Carlos Barreto que me atiram para o leito do teu colorido peito.

Encosto a cabeça deixando-me guiar até o que de mais castanho conheço em mim: terra.

Chão que se rejuvenesce a cada pingo de semente com que me tocam.

Nhã Récia é a fêmea que alimenta os seus quatro em cada grão que se me encosta:

uns absorvo

outros desprezo

uns deposito esperança

outros simplesmente deixo estar; apodrecer na mais infinita superfície de mim
uns opto por não me lembrar

(o teu amarelado peito faz de travesseiro que eu

desprezo

absorvo

esperanceio-me

esqueço-me

nostalgio-me

cuspo-me

Nhã Récia que anda flutando os seus esguios passos nos quatro canteiros do quintal

Nhã Récia que chora

Nhã Récia que gargalha

Nhã Récia que lê o tempo na janela do céu

Nhã Récia que polui-se a si fumando o cigarro ao contrário

Nhã Récia que sorri marfim encardido

Nhã Récia que me dá de comer com a planta dos seus pés

Nhã Récia cujos pés ofereço matacanha do porco que um dos quatro levou

Esqueço-me

Nhã Récia que apesar dos tempos, deposita esperança em mim.

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Jun 06 2007

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Pessoas que vivem na candonga.

Transmudando todos os dias que bem podiam ser santos, caso os mesmos realmente existissem fora da cabeça dos que vivem da candonga.

Manhãs que despertam com calcinhas argolando o antebraço, calcinhas que acabam nos pulsos. Coisa bonita essa de ter os braços protegidos por necessidades femininas.

Agora quero que me leiam Dondo no nome. Ontem fui Denise, amanhã serei Dulce e assim por diante. Porque é fixe mudar de nome todos os dias: só assim consigo sair do meu Batepá com tranquilidade no batimento esquerdo.

- Sam kinina para tapar as intimidades. Dona não compra nada?

Só assim consigo esquecer a externa masculinidade que fisíca o meu ser. Assim, consigo lembrar-me do sodé que ficou com parte dos meus produtos:

- vai buscar na esquadra depois das 23h.

(o que estás a ler ainda não está escrito em lado nenhum porque ainda estou aqui. Há 5 horas de reaver o que me pertence. Calcinhas e soutien’s que me foram oferecidos pelo Wong Fu do: Armazém Wong Fu)

lugar conspurcado de copos e cheiro à chulé: mesa castanha;

mesa despida de todo os verniz. Agora sim: mesa de madeira;

o homem-soldado ao pé da mesa: fino bigode e bruto trato e com o olho na dengosidade que eu ponho no meu olhar.

(sei porque costumo olhar para mim de manhã antes de sair de casa, antes da praça se transformar no meu pão: mesmo sem que eu nada ganhe)

Candongo-me no pensamento de mim, trocando assim: de Denise para Dondo; de Dondo para as outras.

É fixe mudar de nome.

É fixe ser homem de manhã e puta de agentes de autoridade depois das 23h.

(Wong Fu, estás sempre presente)

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Jun 04 2007

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“Quem parte teme, quem regressa treme.” - pensamentos de Mwadia in O Outro pé da Sereia, de Mia Couto.

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Mai 29 2007

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Pretendes assim…

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