Fev 08 2008
CANdo a alma desaparece
Então vamos ter Camarões vs Egipto na final do CAN deste ano. Os meus preferidos estão fora da corrida para o título.
Em vez disso ficamos com um Egipto que demoliu por completo a equipa mais que favorita para a vitória deste ano, a Costa do Marfim, por 4-1 numa das meias-finais, e com a equipa dos Leões Indomáveis que conseguiram domar o Gana, ainda que com apenas um golo.
Ficamos também com a possibilidade dos Camarões igualarem o feito do Egipto que já leva 5 vitórias em competições do CAN.
Entretanto, aqui em Inglaterra ainda fala-se do facto de muitos dos jogadores terem “abandonado” as suas equipas para irem jogar no CAN, o que interfere com a chamada janela de transferências de Janeiro e com a própria organização interna dos clubes.
Isto porque, por exemplo, se algum jogador Africano se lesionar no CAN poderá ter de ser substituído, mas os clubes ficam com pouco tempo para procurarem e assinarem contracto com um substituto, podendo até em alguns casos só saber se precisam de fazer tal coisa em Fevereiro, altura em que já não podem efectuar transferências. Por causa disso, alguns clubes acham que o CAN não devia ser jogado em Janeiro. E também por causa disso muitos jogadores não se esforçam como deviam nos jogos do CAN.
A justificação para tal é a de que os clubes investem muito dinheiro nos jogadores e querem ver o seu investimento retornado. Não me vou debruçar muito neste argumento dos clubes Europeus que, não obstante, considero francamente egoísta! Porque razões deviam os países Africanos organizar as suas competições em função dos interesses e horários dos clubes e competições Europeias?!
Quero sim frisar como isto afecta a performance e qualidade do torneio em África.
Veja-se por exemplo o caso da Nigéria, uma equipa com imensas vedetas mas que não só foi incapaz de ir além dos quartos de final como jogou mal e sem interesse. Foram simplesmente horríveis! Talvez devido ao tal receio de lesões, pois muitos jogadores vão ainda participar em grandes competições Europeias, ou pelo facto de já terem alcançado a fama e o dinheiro que sempre almejaram, certo é que não deu gosto vê-los jogar em nenhum dos 4 jogos que fizeram! Tal foi o caso que foram grandemente criticados pela impressa Nigeriana bem como por ex-jogadores da selecção.
Realmente eu acompanho de perto o campeonato Inglês de futebol e nunca vi os representantes Nigerianos jogarem tão sem alma como o fizeram no CAN. O mesmo se aplica à equipa do Senegal, com varias estrelas aqui e em França e claro, os resultados foram os já mencionados.
A meu ver, acima de tudo deve estar o empenho e dedicação dos jogadores para com o país a que pertencem, independentemente de estarem a jogar fora e a receberem salários milionários noutros países. Se tal não acontece, quebra-se a confiança nas pessoas que melhor podem representar um pais, seja em que área profissional for.
É o caso dos futebolistas, que são vistos como autênticos astros e admirados sobretudo pela juventude dos seus países! O sucesso deles representa o que há de bom em muitos países famigerados por fome, desemprego, miséria e doenças: o desejo e a capacidade de triunfar, dadas as oportunidades certas!
Os miúdos na Costa do Marfim admiram mais o Didier Drogba do que qualquer outra pessoa, e o próprio, ciente do seu papel na sociedade, faz questão de respeitar e retribuir essa admiração com dedicação e suor quando joga pelo seu país! Se o rapaz sofrer uma lesão nestas condições será tão mau para a sua carreira de futebolista, como sofrer uma lesão ao jogar pelo Chelsea… mas os clubes, e as vezes os próprios jogadores, parecem esquecer-se desta realidade.
A diferença reside no facto de que lesionar-se jogando pela selecção terá sido por uma causa muito mais nobre! Soa a devaneio, mas é assim que todos deviam fazer na minha opinião, pelo bem do espírito desportivo e das nações!
Felizmente ainda existem selecções empenhadas em proporcionar qualidade ao CAN, como o Gana, Costa do Marfim, e Angola, que mesmo não conseguindo um lugar na final deram muita cor, ritmo e alma a este torneio! Para eles, o meu muito obrigado por estas semanas de entretenimento e espectáculo! Espero que mantenham o mesmo espírito nas futuras competições.
Não se trata apenas de (tentar) ganhar, mas sim de darmos sempre o nosso melhor, seja pelo clube como pela selecção ou qualquer outra tarefa!
Para os outros, será que desprezam assim tanto a competição para não quererem adicionar ao seu currículo que são campeões dum continente inteiro? Afinal de contas, é só África…
2 comentários |





Que tristeza, já não estão Angola e Costa do Marfim….e Ghana (pelo mérito de organizador, e de dar seu melhor)! QUE VENÇA O MELHOR….
Em relação a organização do CAN em Janeiro, realmente é uma atitude egoísta por parte dos clubes europeus, e só mostra a arrogância deles!
Quanto a prestação de equipas como Senegal e Nigéria, tenho uma opinião pessoal, talvez errada. Acho-os muito individualistas, jogam cada um para isso, se calhar por estarem num patamar de grandes estrelas africanas. Algo completamente diferente nota-se em quipas como a de Angola, e mesmo a Costa do Marfim(melhor equipa deste CAN, teve azar pah). Espero que mantenham o msm comportamento quer como estrelas no topo, ou não.
Concordo que foi um grande espectáculo….que venha o CAN 2010 com muito Ku duro e Semba a mistura.
Oi Packito não acompanhei de perto o CAN2008 (embora fosse sabendo dos resultados dos jogos), por isso não posso debater em consciência sobre o comportamento/desempenho dos artistas durante o espectáculo.
Mas uma coisa sei: pior que as invasões dos espaços geográficos das nossas Nações há mais de cinco séculos, a chamada colonização, os europeus colonizaram as mentes dos africanos e os convenceram, diga-se com sucesso na maior parte dos casos, que eles, os europeus, devem dominar, seja qual for a área de actividade. E os africanos ainda os ajudam nessa tarefa. Como? A resposta ficará para um dos próximos capítulos do Blog(ué)s.
O certo é que nos últimos 50-60 anos os americanos (leia-se euroamericanos), visionários como são de fontes de tesouros, fizeram uma “parceria estratégica” com os europeus para essa “nobre” tarefa de colonização das mentes africanas; só que agora querem eles dominar. E vão conseguir, tendo em conta o perfil dos africanos.