Jun 06 2007

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- HP -

Publicado em wordJ, às 11:14

Pessoas que vivem na candonga.

Transmudando todos os dias que bem podiam ser santos, caso os mesmos realmente existissem fora da cabeça dos que vivem da candonga.

Manhãs que despertam com calcinhas argolando o antebraço, calcinhas que acabam nos pulsos. Coisa bonita essa de ter os braços protegidos por necessidades femininas.

Agora quero que me leiam Dondo no nome. Ontem fui Denise, amanhã serei Dulce e assim por diante. Porque é fixe mudar de nome todos os dias: só assim consigo sair do meu Batepá com tranquilidade no batimento esquerdo.

- Sam kinina para tapar as intimidades. Dona não compra nada?

Só assim consigo esquecer a externa masculinidade que fisíca o meu ser. Assim, consigo lembrar-me do sodé que ficou com parte dos meus produtos:

- vai buscar na esquadra depois das 23h.

(o que estás a ler ainda não está escrito em lado nenhum porque ainda estou aqui. Há 5 horas de reaver o que me pertence. Calcinhas e soutien’s que me foram oferecidos pelo Wong Fu do: Armazém Wong Fu)

lugar conspurcado de copos e cheiro à chulé: mesa castanha;

mesa despida de todo os verniz. Agora sim: mesa de madeira;

o homem-soldado ao pé da mesa: fino bigode e bruto trato e com o olho na dengosidade que eu ponho no meu olhar.

(sei porque costumo olhar para mim de manhã antes de sair de casa, antes da praça se transformar no meu pão: mesmo sem que eu nada ganhe)

Candongo-me no pensamento de mim, trocando assim: de Denise para Dondo; de Dondo para as outras.

É fixe mudar de nome.

É fixe ser homem de manhã e puta de agentes de autoridade depois das 23h.

(Wong Fu, estás sempre presente)

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