Mai 22 2008

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PM são-tomense liga queda de Governo a casos de corrupção

Publicado em geral, às 15:53

São Tomé, São Tomé e Príncipe (PANA) - 21/05/2008

O primeiro-ministro demissionário de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, revelou quarta-feira que pessoas ligadas aos partidos que votaram a favor duma moção de censura contra o Governo no Parlamento estão envolvidas em casos de corrupção e desvio de dinheiros públicos, pelo que quiseram fazer cair o Executivo para “perpetuar a impunidade”.

Em entrevista telefónica esta quarta-feira à PANA, Trovoada, cujo Executivo havia sido empossado em Fevereiro último, explicou que os reais motivos que conduziram à destituição do seu Governo estão ligados a casos de corrupção.

“Depois de assumir funções, dei ordens para que se procedesse a auditoria em alguns sectores do Estado. O departamento de Inspecção e Auditoria das Finanças (AIF) detectou anomalias, algumas delas graves, de pessoas que devem avultadas somas ao Estado e nunca pagam, deputados e ex-ministros que desviaram fundos públicos, há caso de concursos públicos adulterados ou de adjudicações de obras na base de luvas”, declarou o primeiro-ministro demissionário.

De acordo com Trovoada, as anomalias foram detectadas nos departamentos governamentais que eram dirigidos por elementos ligados ao Partido da Convergência Democrática (PCD, no poder) e do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD, oposição), que juntos aprovaram terça-feira a moção de dsconfiança contra o Governo.

Patrice Trovoada não precisou se vai, nos próximos dias, entregar os resultados da auditoria e inspecção financeira ao Procurador-Geral da República ou se vai deixar que o próximo Governo o faça, mas esclareceu outras causas que levaram à queda do Executivo.

“Sempre disse que este Governo não iria repartir tachos, pelo que muita gente colocou-me logo na lista dos alvos a abater, depois em apenas três meses o Governo conseguiu recuperar a imagem do país junto dos nossos parceiros de cooperação que manifestaram a vontade em investir avultadas somas em São Tomé e Príncipe”, sublinhou.

Citou os exemplos da Líbia, de Portugal, da Nigéria e da Guiné Equatorial, afirmando que “estavamos a introduzir na governação uma cultura de transparência e de resultados, o que deixou muita gente furiosa e incomodada”.

O chefe do Governo destituído considera, por outro lado, que os argumentos apresentados pelos deputados do PCD e do MLSTP para fazer cair o Executivo “são infundados, rídiculos e não correspondem à verdade”.

“O PCD estava a perder a sua influência dentro da coligação, esta é a verdade. Tenho vergonha da nossa classe política. Este povo não merece os dirigentes que tem, muitos deles autênticos dilinquentes políticos, individuos que só querem sugar o pouco que ainda há nos cofres do Estado”, denunciou.

O PCD retirou terça-feira a sua confiança política no chefe do Governo de que também faz parte, em resultado duma aliança tripartida entre este e a Acção Democrática Independente (ADI) de Patrice Trovoada com o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM).

Trovoada afirmou que o facto de aquele partido se ter aliado à oposição para fazer cair o Governo o exclui automaticamnte da coligação governamental.

“O PCD destruiu a coligação. Apresentar uma moção de censura contra o Governo é normal, mas não informar os parceiros de coligação do que se vai fazer e lançar acusações infundadas é rídiculo. O PCD não foi sério, foi covarde, pelo que consideramos que o partido já não faz parte da interpartidária. O povo não pode continuar refém de jogos políticos, de pessoas com sede do poder e que querem continuar na impunidade” sentenciou.

Embora a decisão de formação de um novo Governo ou a convocação de eleições legislativas antecipadas sejam da responsabilidade do Presidente da Repúbliica, Fradique de Menezes, Patrice Trovoada já fez saber que o seu partido se recusa a participar num Governo com o PCD.

“O PCD, pela sua atitude, revelou que tem um entendimento político com o MLSTP/PSD, eles se quiserem que formem Governo”, afirmou o filho do ex-Presidente da República, Miguel Trovoada (1991-2001).

O primeiro-ministro demissionário advertiu, entretanto, que actualmente não há espaço para outros cenários de entendimento entre as forças políticas e, apesar de reconhecer que eleições antecipadas são indesejavéis, disse que talvez seja o único caminho possível para minorar os efeitos da actual crise política em São Tomé e Príncipe.

Entretanto, o Presidente Fradique de Menezes, que se encontra em Taiwan no âmbito dum périplo que o devia levar ainda ao Japão e à Itália, deverá interromper a sua viagem e regressar a São Tomé e Príncipe por causa desta nova crise política.

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